sexta-feira, 22 de julho de 2016

Pesquisadores publicam carta aberta contra o PL nº5687 que libera cesáreas a partir de 37 semanas de gestação

Pesquisadores das instituições científicas abaixo relacionadas que atuam nos temas de redução da prematuridade e da melhoria do desenvolvimento infantil vêm a público se pronunciar contra oProjeto de Lei nº5687. Sob a alegação de defender a “autonomia da mulher e seu direito de escolha”, o PL libera cirurgias cesarianas a partir de 37 semanas de gestação, contrariando todas as evidências científicas que apontam prejuízos para a saúde da mãe e, principalmente, do bebê.
 
O PL nº5687 contraria recente Resolução 2.144/2016 do Conselho Federal de Medicina, divulgada em 22 de junho de 2016, que determina que um recém-nascido é considerado pronto para nascer no período que vai de 39 semanas a 41 semanas. A resolução segue normas do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) e tem o objetivo de reduzir o nascimento de crianças imaturas, denominadas de termo precoce, que nascem entre 37 e 38 semanas e seis dias gestacionais. 
 
As últimas semanas de vida da criança dentro do útero e o trabalho de parto são fundamentalmente dedicadas à preparação fina do bebê para sua convivência com o mundo exterior. Isso inclui adaptações à pressão atmosférica, mudanças de temperatura, ruídos, luz, bactérias e a necessidade de respirar e se alimentar. A interrupção abrupta desse processo de amadurecimento, na 37ª semana, gera perdas múltiplas. A literatura científica tem mostrado que esse grupo de recém-nascidos apresenta maiores riscos para a sua saúde a curto, médio e longo prazo.
 
A Pesquisa Nascer no Brasil, realizada em 2011-2012 com 24.000 mulheres sob a coordenação da Fundação Fiocruz, mostrou que 35% dos recém-nascidos brasileiros nasceram a termo precoce. Isso corresponde a mais de um milhão de bebês imaturos. Eles apresentaram um risco quatro vezes maior de morte ao nascer e duas vezes maior de internação em UTI neonatal em relação aos nascidos com 39 semanas de gestação. Quando esses nascimentos se deram por meio de uma cesariana, os riscos aumentaram para 10 e três vezes, respectivamente.
 
Os dados brasileiros são coerentes com a literatura científica, que aponta não somente riscos para a saúde dos recém-nascidos imediatamente após o nascimento como também nos primeiros meses de vida. Na Pesquisa Nascer no Brasil, a taxa de reinternação hospitalar foi de 9,5% para os bebês a termo precoce, 50% acima do ocorrido para os nascidos a partir de 39 semanas. Prejuízos para o aleitamento materno também foram verificados. Além disso, maiores gastos hospitalares sobrecarregam o sistema de saúde já carente de financiamento.
 
A literatura científica internacional também descreve danos a longo prazo, como maior risco de morte e hospitalização na infância (também verificado em estudo de coortes de Pelotas-RS) e maiores chances de desenvolver obesidade, hipertensão, diabetes, asma e alergia na vida adulta. As pesquisas identificaram também prejuízos ao aprendizado de línguas e de matemática e pior desempenho escolar.
 
Considerando-se apenas os bebês nascidos entre 37 e 38 semanas por cesariana, sem qualquer doença materna ou fetal, chega-se ao número de 300.000 recém-nascidos submetidos anualmente a todos esses riscos desnecessários no Brasil.
 
Diante dessas evidências científicas, nos posicionamos veementemente contra o Projeto de Lei nº 5687 por considerá-lo um retrocesso e um desserviço ao esforço que o país tem feito nos últimos anos para promover a saúde, principalmente no período de gestação e de nascimento, e reduzir doenças e mortes maternas e infantis.
 
É importante ressaltar que somos defensores da autonomia ampla da mulher, desde que ela seja exercida por meio da escolha informada, consciente e baseada em evidências científicas. Acreditamos que repassar exclusivamente para a gestante a decisão sobre o momento e tipo de parto significa isentar de responsabilidade o profissional que realiza o pré-natal e o parto. Essa decisão deve ser uma escolha consciente e compartilhada entre família e equipe de saúde.
 
Além disso, consideramos que é preciso investir na qualidade do atendimento à mulher no pré-natal, durante e depois do parto com um cuidado centrado em suas necessidades. Isso elimina o excesso de intervenções obstétricas desnecessárias que acabam por funcionar como propaganda para as cesarianas, que somente deveriam ser realizadas por justificada indicação clínica.
 
Como pesquisadores e profissionais de saúde, é nosso papel defender os direitos de todos os bebês brasileiros de completarem seu desenvolvimento intrauterino e terem assegurada uma assistência adequada no nascimento e uma vida futura saudável, com capacidade de atingir todo o seu potencial de crescimento, desenvolvimento e inserção social. A privação desses direitos é eticamente inadmissível. 
 
Fonte:http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/40058

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Resumo do livro O Homem Mais Rico da Babilônia

O livro é bastante interessante na medida em que traz alguns preceitos para o planejamento financeiro a longo prazo. Nesse sentido, basicamente, propõe que o leitor fique atento algumas crenças, tais quais:

- Valorizar o trabalho
- Guardar 10% do seu salário (poupança ou investimento)
- Separar 20% para pagar as dívidas (para aquelas que possuem, obviamente)
- Realizar orçamento e o controle dos gastos
- Multiplicar seus rendimentos
- Proteger seu dinheiro contra perdas
- Buscar sempre mais conhecimento, ou seja, não confiar demasiadamente em seus conhecimentos
- Buscar dialogar com quem sabe mais para ampliar os horizontes
- Ter seu próprio lar e fazer dele um investimento de conforto e bem-estar
- Assegurar uma renda para o futuro
- Não procrastinar
- Dar o primeiro passo
- Aproveitar as oportunidades. Segundo o autor, as oportunidades não esperam por um companheiro lento. Se o homem deseja ter sorte, deve apressar-se. O sujeito que não se ativa quando as oportunidades se apresentam, não passa de um procrastinados.
- A sorte pode ser atraída desde que fiquemos atentos as oportunidades.


Cinco Leis de ouro
1) O ouro vem de bom grado para quem separa 10% de seus ganhos, a fim de criar um fundo para o futuro.
2) O ouro trabalha diligentemente para o homem prudente
3) O ouro busca proteção do proprietário cauteloso que investe de acordo com os conselhos dos homens sábios.
4) O ouro foge do homem que investe em negócios que não está familiarizado
5) O ouro escapa ao homem que o força  a ganhos impossíveis ou dá ouvidos aos conselhos enganosos
 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O Homem mais Rico da Babilônia (livro) e o Plano de carreira e vencimentos na fisioterapipa

Durante a minha formação, minha atuação profissional seja como professora ou como profissional fisioterapeuta vi poucas pessoas falarem de um plano de carreiras e de salários. Basicamente, sabíamos de alguns poucos caminhos a trilhar como, por exemplo, tentar a residência multiprofissional depois da faculdade e vislumbrar um mestrado e doutorado. É só isso? Não, não é. Há diversos outros multifatores que devemos pensar e , inclusive, essa caminhada pode ser realizada através de diversos percursos. Concurso público é um deles, sobretudo na área da saúde onde muitos estão em subempregos.

Para além disto, é necessário saber qual a sua pretensão salarial e de remuneração nas diversas fases da sua vida. Isto porque, se o valor que você ganha na sua profissão pode dar conta ou não deste valor. Se não der, quer dizer que terá que abandonar sua profissão? Algumas possibilidades podem surgir a partir desta reflexão. Ou seja, pode se dar através de fontes de renda alternativas, por exemplo um hobbie lucrativo ou investimentos financeiros.

Falando em investimentos, vejo esta temática também pouquíssimo discutida nos ambientes de trabalho relacionados a saúde.  Nesse sentido, proponho a leitura do livro. E ai você vai me perguntar, mas que diabos esse livro tem que ver com fisioterapia? E eu te respondo perguntando: quantas vezes você debateu no ambiente acadêmico com colegas ou  professores a necessidade de um plano  de aposentadoria alternativo ao INSS? Pode até ter dito que no longo prazo o INSS não vai dar conta. Mas, realmente, estudou um plano alternativo de previdência? Será que estudou formas de multiplicação do seu dinheiro? Ou será que só faremos isso quando for uma urgência? Será que discutimos planos projetos de longo prazo como profissionais e estudantes? E pior como forma de se prevenir de eventos surpresas? Pois acredito que quanto mais cedo começarmos esse diálogo com nossos colegas, alunos e amigos melhor.

Esse livro tem tudo a ver com a perspectiva profissional do fisioterapeuta na medida em que propõe que você se organize em projetos de longo prazo e do de vista orçamentário, economize parte do seu dinheiro e faça com que ele (o dinheiro) trabalhe por você. Será que se pensarmos a nossa atuação profissional no longo prazo e com fontes de renda alternativas de investimentos não seria mais fácil ser fisioterapeuta? aguardo vocês nos comentários!



terça-feira, 12 de julho de 2016

Sistema para Detecção do Uso Abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), abriu inscrições para 10 mil vagas da 10ª edição doSistema para Detecção do Uso Abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas:  Encaminhamento, Intervenção Breve, Reinserção Social e Acompanhamento

O curso SUPERA, totalmente gratuito, visa capacitar estes profissionais das áreas de saúde e assistência social discutindo diferentes modelos para a prevenção, intervenção e encaminhamento daqueles que apresentam problemas relacionados ao uso de álcool, crack e outras drogas.

A capacitação é desenvolvida na modalidade de Educação a Distância (EaD), com carga horária de 150 horas e tem duração de três meses com início previsto para 8 de Agosto de 2016. Os alunos que concluírem o curso receberão um certificado de extensão universitária emitido pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Para se inscrever e acompanhar o curso é necessário possuir acesso à Internet e comprometer-se a participar do curso até sua conclusão, caso seja selecionado.

Inscrições gratuitas: http://www.supera.senad.gov.br/mv1/custom/sup10/inscricao.php

Para mais informações ou em caso de dúvidas acesse: http://www.supera.senad.gov.br

Equipe SUPERA

terça-feira, 17 de maio de 2016

Secretaria da Saúde do Estado inaugura 15 novos leitos na maternidade Tsylla Balbino

Nesta segunda-feira (16), a maternidade Tsylla Balbino, em Salvador, ganhou 15 novos leitos, sendo dez leitos da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCIN) e cinco leitos de UCIN Canguru. A inauguração contou com a presença dos secretários estaduais Fábio Vilas-Boas (Saúde) e Olívia Santana (Políticas para as Mulheres).

Com o investimento de R$ 1,5 milhão entre obras e equipamentos, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), segue qualificando e ampliando a rede de assistência materno-infantil.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, apenas em 2015, somente na rede própria do estado, mais de 40 leitos foram abertos em maternidades. Já neste ano foram inaugurados 43 novos leitos no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), sendo 20 da UTI Neonatal e 23 de cuidados semi-intensivos pediátricos. "Nosso compromisso é descentralizar a assistência, ampliar o número de leitos e melhorar a qualidade do atendimento. Nesse sentido, só neste ano estão previstos mais de R$ 60 milhões na requalificação de 25 maternidades em todo o estado e o Hospital da Mulher com 137 leitos", afirma.

Com uma média de 900 atendimentos e 300 partos por mês, a maternidade Tsylla Balbino oferece serviço de pré-natal completo, composto de consultas com médico obstetra, enfermeiro, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta. Além disso, a unidade realiza atendimento em psicologia e odontologia preventiva para gestantes.

Na opinião da diretora da unidade, Rita Calfa, além dos benefícios práticos dessa ampliação para a população, há um caráter simbólico. "O mês de maio é especial, pois se comemora o dia das mães e dos profissionais de enfermagem e assistentes sociais, que tanto se dedicam e contribuem para a construção e consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS)", diz.

Dados

Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), até abril de 2016, em toda a Bahia existiam 318 leitos de UTI Neonatal, sendo 208 exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). No que se refere aos leitos de UTI pediátrica, a Bahia possui 132 leitos, sendo 104 públicos.

No que se refere à área materno-infantil, é preciso ressaltar que o Governo do Estado vem assumindo a assistência integral ao parto no município de Salvador, ainda que lhe caiba apenas os casos de alto risco. A maioria dos municípios do interior, mesmo aqueles com menos de 20 mil habitantes possui alguma maternidade. Salvador ainda não possui uma única maternidade própria, o que tem sobrecarregado as maternidades estaduais, prioritariamente destinadas a casos de alto risco. Não fossem as maternidades públicas mantidas pelo Estado, a exemplo da Tsylla Balbino, Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba), Albert Sabin, José Maria de Magalhães, João Batista Caribé e Roberto Santos, os soteropolitanos que nascem todos os anos e precisam do Sistema Único de Saúde (SUS) viriam à luz em outros municípios.

Fonte: http://www.saude.ba.gov.br/novoportal/index.php?option=com_content&view=article&id=10581&catid=13&Itemid=25

quinta-feira, 7 de abril de 2016

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA DEMANDA POR CUIDADO

Cuidado, Integralidade e Trabalho. Esses são os três vértices da discussão que o professor e pesquisador José Ricardo Ayres promete levar para a Conferência Magna, que vai marcar oficialmente a abertura do XIII Seminário da Integralidade, em Cuiabá, em agosto. Numa entrevista exclusiva para o BoletIN, Ayres faz uma profunda reflexão sobre o caminho que leva o cuidado da teoria para a práxis e disse não ser possível existir saúde pública sem passar por um atento cuidado aos sujeitos e às populações.

Para José Ricardo Ayres, o tema do XIII Seminário, “Construção Social da Demanda por Cuidado – revistando o direito à saúde, o trabalho em equipe e espaços públicos e participação”, que retoma uma discussão iniciada em 2005, é esencial para aquilo que considera o grande desafio da atualidade, “a contínua construção do SUS”. Confira aqui a entrevista na íntegra.  
BoletIN -Na abertura do Seminário, você vai ministrar uma Conferência Magna, intitulada “Cuidado: Trabalho e Integralidade nas Práticas de Saúde”.  Hoje, o tema do cuidado atravessa desde as instituições acadêmicas até as políticas públicas e gestão da saúde. O que contribuiu para esse interesse ou essa preocupação sobre o tema?
José Ricardo Ayres - Penso que o que caracteriza a ideia geral de cuidado é uma ativa ocupação com a saúde do outro, na forma de uma ação que cobra reconhecimento e respeito mútuos, capacidade de ouvir e interpretar necessidades e a construção de respostas de modo compartilhado, com confiança e responsabilidade. Esse interesse crescente no cuidado me parece derivar de um conjunto de aspectos, mas eu destacaria dois, dialeticamente relacionados. De um lado, o crescimento impressionante de nossa potência tecnocientífica gera enormes expectativas de domínio do adoecimento, do sofrimento, das limitações e de promoção da longevidade, bem-estar, aptidão física, beleza etc. Mas, de outro lado, esse próprio desenvolvimento vai deixando mais e mais clara a não correspondência imediata entre uma coisa e outra. Iniquidades, desrespeitos, insuficiências, violências, são vividos como realidade inseparável das sedutoras e crescentes ofertas de consumo das tecnologias da saúde. Os serviços e tecnologias são de difícil acesso para a maioria, os resultados das ações são frequentemente frustrantes, as relações com os profissionais estão empobrecidas e deterioradas.  Acho que a guinada na direção do cuidado é, no mínimo, uma reação a esta contradição. É uma certa necessidade de, por um lado, fazer nossas apostas em caminhos menos dependentes da linguagem instrumental das tecnociências. É como se disséssemos: "Que se calem um pouco as máquinas para que possamos ouvir nossas próprias vozes". Mas certamente não queremos que as ciências e as tecnologias silenciem, porque elas também falam de uma maneira que nos interessa, que foi inventada por nós mesmos. O que queremos é que elas falem mais para nós e menos por nós, que falem daquilo que é de fato relevante, que faça sentido em nosso cotidiano, e, especialmente, que falem para todos nós. Mas isso é o mínimo, porque o queremos mesmo com o cuidado é que as ciências e técnicas falem muitas línguas, que estejam sempre aprendendo novas línguas e que não precisem calar outras vozes para se fazer ouvir.     
 
BoletIN - Por que o discurso sobre o cuidado ainda está tão distante das práticas? Como sair da reflexão para a práxis?
José Ricardo Ayres - Em um certo sentido o cuidado não está distante da prática. Se podemos hoje teorizar sobre ele, se é um conceito, é porque de algum modo ele já está na prática. Mas essa presença é difusa, esparsa, pouco orgânica. As tecnociências de base biomédica tornaram-se tão centrais e dominantes que o seu sentido propriamente prático, isto é, o tipo de valor, interesse, significado que subjaz à busca do seu poder instrumental, foi perdido de vista. Criou-se um estranhamento entre esse aspecto instrumental e o sentido, digamos, existencial das ações de saúde. A esta configuração tenho me referido como a disjunção entre os horizontes de êxito técnico e de sucesso prático na orientação das ações. Assim, podemos dizer que o conceito de Cuidado aspira participar das práticas de saúde de modo reconstrutivo, como um elemento que facilite a identificação dessa disjunção no cotidiano das práticas e a percepção e difusão das possibilidades de superá-la, aí, no cotidiano. Que modos de operar das ações e dos encontros nas práticas de saúde podem efetivamente orientar-nos na direção dos projetos de felicidade que nos caracterizam como pessoas e comunidades em busca da saúde? Como superar o ilusório e danoso isolamento entre êxito técnico e sucesso prático, como se fossem questões de natureza completamente diversa, na definição dos horizontes normativos das ações de saúde? Se o conceito de cuidado ajudar a responder a estas questões estará deixando mais clara uma estreita relação que já desde sempre tem com a prática. Então o desafio que se coloca, de passar da reflexão à práxis, começa na própria compreensão da origem e destino práxico, ou pragmático, deste conceito. Penso que a partir daí trata-se de disseminar esse debate e não perder oportunidades, na capilaridade dos serviços e instituições que de alguma forma lidam com saúde, de aproveitar os aprendizados que esta reflexão, conduzida ao cotidiano da prática, pode produzir;  transformá-los em propostas de organização das ações de saúde, avaliar essas experiências. Avaliar de forma interessada não apenas em termos de quantidades e resultados, mas em termos de qualidades e de efeitos em nossa formação como comunidades e pessoas; em termos da capacidade de nossas ações deixarem-se interpelar por nossos projetos de felicidade e moverem-se por nossos encontros. Como se vê, é um processo de transformação cultural. Como tal, e pensando mais particularmente no campo institucional da saúde, depende do desenvolvimento de tecnologias de atendimento, de mudanças estruturais nos serviços, de aperfeiçoamentos nos modelos de organização da atenção, de novos processos de gestão, de transformação nos processos de formação profissional e educação permanentes. E não há um lugar para começar. Essa mudança já está, ao menos em potência, nessas diversas perspectivas, e devem se dar simultaneamente, cada processo alimentando o outro.       
 
BoletIN- É possível existir saúde pública sem passar por um atento cuidado aos sujeitos e às populações?
José Ricaro Ayres - Não, não é possível. Embora nós tenhamos a tendência a pensar no cuidado como uma relação interpessoal, entre profissional e usuário, isso seria uma contradição nos próprios termos, uma vez que não há projeto de felicidade que nasça e faça sentido fora da polis, isto é, da cidade, da vida compartilhada.  Assim toda possibilidade de produzir ações de saúde que façam sentido sempre terá relação com contextos intersubjetivos, desde as relações interpessoais, familiares, do bairro, até a comunidade global no limite. Por outro lado, as populações não são entidades abstratas, elas são construídas pelas interações cotidianas das pessoas. O cuidar e o cuidar-se repercutirão também sempre sobre outros . Mas, claro, cabe estarmos atentos para as diversas possibilidades de apreender e responder a necessidades e possibilidades de cuidado de diferentes abrangências, cuidando de diferentes modos, com diferentes sujeitos e recursos em cenários diversos.  
BoletIN- Onde as temáticas do Cuidado, do Trabalho e da Integralidade se encontram?
José Ricardo Ayres - O difícil é saber onde eles não se encontram! Quando falamos de Cuidado nos serviços de saúde estamos falando já, imediatamente, de Trabalho. O que justifica todo encontro cuidador ocorrido aí, ou a partir daí, é a produção de algum bem ou serviço. A diferença em relação a outros processos de trabalho, e isso é bastante conhecido, é que o produto do trabalho em saúde é consumido no ato mesmo em que é produzido. Mas, quando pensamos o trabalho em saúde na perspectiva reconstrutiva do Cuidado, então temos que considerar ainda uma outra diferença: o objeto de trabalho e o sentido de sua transformação devem ser uma produção compartilhada entre o trabalhador da saúde e o beneficiário desse trabalho. Aí chegamos à Integralidade. O trabalho operado no e pelo Cuidado deverá ser construído segundo uma totalidade de sentido. Integralidade não significa cuidar de tudo, significa cuidar em um todo. Destacando-se sobre o pano de fundo das singulares condições de vida e dos projetos de felicidade de cada pessoa ou comunidade, ganham contorno as formas e os significados das ações cuidadoras, por meio e para além do significado que assumem nesta totalidade compreensiva as lesões, disfunções, dismorfias, adoecimentos, sofrimentos, limitações, riscos, vulnerabilidades, aspirações, desejos etc. Compreendido desta forma o sentido de sua ação, a atenção à saúde estará pronta não apenas a tomar as decisões mais sábias em relação a que e como fazer com os recursos terapêuticos disponíveis, mas também identificar outras necessidades para o trabalho que, concomitantes ou em diversos prazos, demandam os profissionais e serviços.   

BoletIN- Você poderia apontar algumas possibilidades para a construção de caminhos para o cuidado integral de indivíduos e populações na Atenção Primária a Saúde?
José Ricardo Ayres - Estas possibilidades têm sido largamente discutidas por profissionais, gestores, ativistas, em diversos espaços, como esse do LAPPIS, seus seminários, suas publicações. Mas eu sintetizaria esses caminhos da integralidade em quatro grandes "avenidas", ou eixos, que, na busca de uma totalidade compreensiva para orientar o cuidado, permitem que nos orientemos na direção do princípio da integralidade na Atenção Primária à Saúde. Esses eixos é que têm norteado as práticas e as reflexões de nossa equipe no Centro de Saúde Escola Samuel Barnsley Pessoa, da Faculdade de Medicina da USP, o C.S. Escola Butantã. O primeiro eixo é o das necessidades, isto é, na Atenção Primária, em especial, é imprescindível que estejamos abertos a identificar e compreender demandas e necessidades que extrapolam o repertório com o qual estamos mais habituados, já desde a nossa formação nas escolas de medicina, enfermagem, odontologia, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, etc. O que reclama também, e talvez isso seja ainda mais difícil, que consigamos interpretar demandas singulares em relação a aspectos com os quais estamos tão acostumados a lidar que tendemos a universalizar, generalizar de forma redutora e preconceituosa. De outro lado, se construímos com riqueza o "que fazer?", com uma leitura "suficientemente boa" das necessidades, precisaremos também enriquecer os meios de responder a elas, e aí entram aqui dois outros eixos importantes. Um é o das finalidades, isto é, precisamos lançar mão de processos de trabalhos em saúde nas suas quatro conformações básicas - promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e reabilitação. Raramente um cuidado integral na atenção primária vai poder abrir mão de alguma dessas lógicas, e sempre precisará integrá-las de algum modo na construção de projetos de cuidado. O outro eixo é o que temos chamado de eixo dasarticulações. É quase intuitivo que, para podermos lançar mão de recursos e ações nas quatro conformações dos processos de trabalho em saúde e integrá-los em movimentos coerentes e exitosos, precisaremos articular diferentes atores e cenários de prática. Nesse sentido, interdisciplinaridade e intersetorialidade, entendidas não como algum protocolo ou princípio abstrato e a priori, precisam ser construídas a partir dos projetos concretos de cuidado, com maior ou menor grau de compartilhamento - desde uma articulação mais circunstancial, conforme necessidades de cuidado de um caso específico, até as cooperações mais sistemáticas e institucionalizadas, em programas de alcance populacional. Por fim, não podemos esquecer que não conseguiremos trabalhar na perspectiva da integralidade se o eixo das interações não for privilegiado na construção do cuidado. Se lembrarmos do que foi dito já desde o início desta entrevista, ficará claro que, sem uma efetiva e legítima relação eu-outro, construída com base na confiança e responsabilidade mútuas e dirigidas a uma autêntica fusão de horizontes, não encontraremos os valores éticos, os princípios morais e políticos e os resultados técnicos e práticos que almejamos.           
 
BoletIN- E quais os maiores desafios desse percurso?
José Ricardo Ayres - Nossa! Os desafios são muitos e grandes, ou ninguém se preocuparia em teorizar sobre o Cuidado. E naqueles quatro eixos a que eu estava me referindo. Mas acho que o mais central de tudo é garantir um contexto de práticas minimamente favorável para que tudo isso possa ser construído, e não tenho dúvidas que esse contexto é um SUS forte, bem financiado, público nos seus compromissos e modus operandi, orientado pela lógica dos Direitos, com participação ativa dos gestores, cientistas, técnicos, ativistas, profissionais e usuários no sentido de seu constante exame crítico e aperfeiçoamento.
 
BoletIN- Por último, professor, o tema geral do XIII Seminário de Integralidade é “Construção Social da Demanda por Cuidado – revistando o direito à saúde, o trabalho em equipe e espaços públicos e participação”, que retoma um debate ocorrido na edição de 2005 dos seminários da Integralidade. Como você vê a importância de manter vivo esse debate?
José Ricardo Ayres -Esse debate é fundamental! Veja que identifico todos os termos da proposta naquilo que considero o grande desafio, a contínua construção do SUS. Fazer essa espécie de balanço 8 anos depois promete ser uma experiência muito instigante e cheia de potenciais.
 
BoletIN- E qual a sua expectativa para esse evento de agosto, que pretende reunir professores, estudantes, gestores e pesquisadores em saúde em um encontro que já faz parte da agenda anual da saúde coletiva?
José Ricardo Ayres - Eu sempre vou muito feliz e esperançoso para esses seminários do LAPPIS. Fico chateado quando não consigo ir, como aconteceu ano passado, justo esse, tão interessante, ocorrido em Rio Branco, com uma agenda muito relevante. Mas este ano felizmente estarei lá de novo e, como sempre, minha expectativa é de trazer de volta muito aprendizado, muita inquietação, muita inspiração, muitos afetos positivos do encontro com tanta gente interessada no valor da integralidade e disposta a trabalhar publicamente por ela. Enfim, o seminário do LAPPIS promete sempre ser um potente recarregador de energias! 
 
Serviço:
 
XIII Seminário da Integralidade: Construção Social da Demanda por Cuidado
Onde:Cuiabá (Universidade Federal de Mato Grosso e Hotel Fazenda Mato Grosso)
Quando:de 13 a 16 de agosto
Inscrições gratuitas: http://www.lappis.org.br/site/inscricao-xiii-seminario.html
Confira a página do Seminário: http://www.lappis.org.br/site/eventos/xiiiseminario.html
http://www.lappis.org.br/site/noticias-do-seminario/852-entrevista-jose-ricardo-ayres

quinta-feira, 17 de março de 2016

APP CREFITO 7

Prezados/as profissionais,

Já está disponível para download gratuito o aplicativo do CREFITO-7, criado com o objetivo de implementar a comunicação entre o CREFITO-7 e seus inscritos. Confira!
 >>> Em breve, o aplicativo também estará na App Store! Para quem utiliza IOS, segue o link para baixar o app: http://goo.gl/gGYsdj .

terça-feira, 15 de março de 2016

CURSO DE CAPACITAÇÃO EM FISIOTERAPIA ONCOLÓGICA

1. OBJETIVO: Promover uma visão geral na área da fisioterapia em oncologia para

profissionais que buscam ampliar seus conhecimentos, capacitando­os para responder

de modo eficaz as demandas vividas na dinâmica do hospital.

2. PÚBLICO ALVO: Fisioterapeutas

3. LOCAL: HOSPITAL ARISTIDES MALTEZ

4. SETOR RESPONSÁVEL: Serviço de Fisioterapia

5. PRÉ REQUISITO:

5.1. Registro no CREFITO, com situação regularizada.

6. PERÍODO: ABRIL À JULHO DE 2016

7. CARGA HORÁRIA:

7.1. ENFERMARIA:

­Terá carga horária total de 200 horas. A carga horária total será distribuída entre carga

horária teórica, cuja duração será de 30h, e a carga horária prática de 170h. A carga

horária prática será de 10 horas semanais, concentradas em um dia da semana (MT) em regime de

plantão;

­Os dias da semana e os horários obrigatórios para os alunos serão de quarta a sexta

das 7 às 12 e 13 às 18.

7.2. AMBULATÓRIO:

­Terá carga horária total de 200 horas. A carga horária total será distribuída entre carga

horária teórica, cuja duração será de 30h, e a carga horária prática de 170h. A carga

horária prática será de 10horas semanais, distribuídas ao longo da semana (AnexoI);

­Os dias da semana e os horários obrigatórios para os alunos serão de segunda a sexta

das 7 às 12 e 13 às 18, distribuídos de acordo com escala prévia (AnexoI);

7.3 O conteúdo teórico será realizado em conjunto, turmas da enfermaria e ambulatório. Serão 07

aulas distribuídas ao longo dos 04 meses, com duração média de 04 horas cada, que acontecerão

às segundas­feiras pela tarde, com datas previamente agendadas.


Maiores informações ou esclarecimentos podem ser  obtidos através do e­mail: curso.fisio@aristidesmaltez.org.br.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Abrasco e a crise política no Brasil

Nesse momento de grave crise política, o silêncio e a omissão são inadmissíveis

A política no Brasil está marcada, há décadas, pela relação promíscua entre partidos, lideranças, congressistas e governantes com empresas e grupos de interesse privado. Esta forma de atuar, infelizmente, não é atributo deste ou daquele partido, ou deste ou daquele governo mas, infelizmente é o modus operandi predominante na tradição do país.

Esse padrão degradado de negócios com a coisa pública tem gerado corrupção, mas também tem permitido a apropriação privada do orçamento público, supostamente destinado a assegurar políticas públicas e o bem-estar. Essa forma de operar termina privilegiando as elites econômicas e políticas, perpetuando a desigualdade, produzindo degradação urbana, enfraquecimento da regulação do setor imobiliário, automotivo, químico, da indústria farmacêutica, e ainda enfraquecendo o SUS – Sistema Único de Saúde, a Educação e Pesquisa Públicas, reduzindo direitos das mulheres, de povos indígenas, afrodescendentes, assalariados e pequenos produtores urbanos e rurais.

Este modo perverso de funcionamento do Estado e da Sociedade brasileira somente será superado pelo engajamento de diversos segmentos da sociedade.

O poder judiciário, com certeza, tem papel importante nessa mudança. A Operação Lava-Jato, de início, pareceu fazer parte deste esforço nacional. No entanto, há sinais de que vem preponderando em sua atuação perspectiva enviesada pelo partidarismo estreito e ações de legalidade duvidosa; isto a ponto, de um ministro do STF vir a público declarar-se preocupado com os desdobramentos da Operação, que a continuar nesse caminho caracterizaria “um retrocesso e não um avanço”.

Para agravar o desatino, grande parte da mídia, editores, âncoras e comentaristas perderam todo pudor com a objetividade do jornalismo profissional e ético, passando a açular o ódio e a intolerância.

Nesse sentido, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, representativa de sanitaristas e pesquisadores, sempre comprometida historicamente com a defesa da saúde e da democracia, manifesta seu veemente repúdio aos episódios recentes que colocam em risco a legalidade democrática e o Estado de Direito no Brasil. Rechaçamos enfaticamente atos seletivos, medidas arbitrárias e manobras irresponsáveis que podem vir a configurar um verdadeiro Estado de exceção não declarado.

A coerção e a intimidação impõem retrocessos ao árduo processo de consolidação da democracia, da garantia das liberdades e dos direitos fundamentais. Neste momento de crise nacional, o respeito às instituições que apuram desvios e corrupção deve ser acompanhado de especial vigilância e mobilização, diante das aspirações de forças conservadoras da política, da mídia e de parte da sociedade, orquestradas em tomar o poder a qualquer custo.

A Abrasco junta-se às entidades e movimentos sociais comprometidos com a inadiável coesão nacional para a superação da crise política que ameaça a democracia, da crise econômica que destrói empregos e aniquila as políticas sociais inclusivas, e da crise sanitária causada pelo desfinanciamento do SUS e pelos desafios atuais de saúde pública, dentre eles a epidemia de zika.

Os valores de democracia, justiça e solidariedade, que nos movem na defesa intransigente de um sistema de saúde universal, devem continuar a inspirar nossas ações e nossas escolhas, hoje e sempre.

Rio de Janeiro, 7 de março de 2016.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Qual a diferença entre espaço morto anatômico e espaço morto fisiologico?


O espaço morto anatômico corresponde ao volume (espaço) das vias aéreas condutoras em que não há trocas gasosas. Seu valor normal é de aproximadamente 150ml. Pode variar de indivíduo para indivíduo já que depende da postura e do tamanho de cada pessoal. Por sua vez, o espaço morto fisiológico refere-se ao espaço (volume) pulmonar que não elimina gás carbônico, ou seja, refere-se ao espaço que, antes, realizava trocas gasosas e que não as realiza mais. Doenças em que há espessamento da parede alveolar, ou atelectasias, por exemplo, contribuem para um maior volume de espaço morto fisiológico.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Aplicativo promete agilizar a identificação de focos do Aedes em Salvador





Ferramenta tecnológica de rápido e fácil acesso, capaz de registrar focos do Aedes aegypti, além de notificar em tempo real os casos suspeitos de dengue, chikungunya e zika vírus. Esse é o objetivo aplicativo Mosquito Zero, desenvolvido pelo gerente em pesquisa do Núcleo de Tecnologia da Informação da Secretaria Municipal da Saúde, Alex Sandro Correia.
O dispositivo que estará disponível em duas plataformas - através do app com compatibilidade para Android e IOS, bem como, um portal na internet -, promete ser mais uma importante arma no enfrentamento das arboviroses. "Com um smartfone ou tablet qualquer cidadão poderá tirar uma foto de um possível foco do mosquito e enviar para nossa central de monitoramento. O sistema operacional registrará as coordenadas geográficas do local e as informações coletadas servirão como subsídio para nortear as ações contingência do vetor", explicou Alex Sandro Correia.
Além de acelerar a identificação dos focos do mosquito, o software também possibilitará o registro online dos casos suspeitos de dengue, chikungunya e zika, gerando um mapa da situação das patologias em cada localidade do município. "Teremos uma tela exclusiva para o usuário preencher os dados pessoais e sinalizar o quadro clínico. De acordo com os sintomas especificados, o sistema gera automaticamente uma estimativa de qual das arboviroses o cidadão está acometido, bem como, sinalizará quais os postos de saúde da rede pública da região que o mesmo deverá procurar para confirmar o diagnóstico" esclareceu o técnico responsável pelo desenvolvimento do projeto.
Em 2014, o aplicativo foi vencedor do concurso Ideias Inovadoras da FAPESB, o único no Brasil aprovado no chamamento público do Ministério da Saúde para financiamento. Desde então, o projeto aguarda o envio dos recursos do Ministério da Saúde para que o mesmo possa ser efetivado. "O Mosquito Zero foi o único programa no país selecionado pelo Governo Federal para receber recursos que viabilizassem o funcionamento. O valor disponibilizado (menos de 200 mil reais) já está empenhado há mais de quatro meses e não foi repassado ainda por conta de um problema no sistema de pagamento do Ministério [da Saúde] que foi estabilizado na semana passada", declarou Correia, afirmando ainda que a expectativa é que o aplicativo esteja disponível para utilização em até 90 dias após a liberação do recurso.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

REVISTA ENSAIOS & DIÁLOGOS EM SAÚDE COLETIVA

Faz-se necessário, como nunca, a liberdade de investigação, pois vivemos uma época de crise, imersos em dúvida, na desconfiança quanto a nossos representantes e observando uma concentração inaudita de riqueza e de poder.
Os velhos modos de existir, os nossos discursos e mesmo as nossas instituições reformadas recentemente não conseguem assegurar a redução das imensas desigualdades e nem dão conta da promessa de um futuro de democracia e de convivência pacífica.
Para refundar a sociabilidade, não há outra saída fora do engajamento reflexivo. Com esta nova publicação, a Abrasco pretende oferecer, commodéstia, um espaço para reflexões sobre incertezas e colaborar para a reconstrução de modos de conviver solidários, para a reinvenção da democracia e para repensar o papel da Saúde Coletiva no contexto atual.
Ensaios & Diálogos em Saúde Coletiva é um espaço a ser ocupado por pesquisadores, por profissionais de saúde e por todas as pessoas preocupadas com a saúde, com a ciência, com a formação, com o bem-estar, com a justiça social e com a felicidade.
Neste primeiro número, as contribuições da Abrasco para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, com participação de Luis Eugenio Souza; Tatiana Vargas; Maurício Barreto; Marcelo Firpo; Jandira Maciel; Letícia Coelho; Fernando Carneiro; Nelsão Santos; José Sestelo; Cesar Victora; Jairnilson Paim, Márcio Pochmann, Pedro Célio Borges; André Dantas; Inês Rugani; Maria Lúcia Werneck; Luiza Garnelo; Paulo Capel Narvai; Luis Castiel e Marco Akerman. Entrevistas com Guilherme Werneck e Arthur Chioro. Ilustrações de Caco Xavier. Participação da ONG mexicana El Poder del Consumidor.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Novembro: Mês de Combate a violência

Estamos vivendo um momento em que eventos de violência estão ocorrendo no mundo inteiro. Os atentados na França, na Nigéria são exemplos para além dos muros soterapolitanos. Por aqui, em Salvador, presenciamos a morte a queima roupa da Policial da Unidade de Saúde da Família do Parque de Pituaçu bem como assalto em 05 Unidades de Saúde da Família, apenas este mês.

Novembro é o mês de combate a violência. Um blog sobre saúde não poderia deixar um tema como este, tão influente em nosso cotidiano e na saúde de nossa população, passar em branco. A sugestão aqui não é ratificar o quão triste é a violência, pois esta nós sentimos diariamente nas ruas. Vamos propor uma ação diferente! Eu acredito que as boas ações são contagiantes, então estou deixando, algumas sugestões para realizarmos e propagarmos esta vibração positiva contra a violência! Que tal praticarmos juntos?


- Abrace, hoje, um familiar

- Diga a um amigo o quanto ele é importante

- Dê uma rosa para um desconhecido

- Dê bom dia para a primeira pessoa que vir

- Sorria para a pessoa que está na sua frente

- Agradeça pelo dia de hoje

- Ajude um idoso(a) a atravessar a rua

- Abrace um colega de trabalho

- Agradeça ao motorista de ônibus pela viagem 

- Dê bom dia/boa tarde/boa noite ao cobrador do ônibus

- Abrace a pessoa mais próxima, neste momento

- Agradeça por seu trabalho

- Dê uma bola para uma criança que não possui condições

- Pense positivos, pense que as dificuldades serão superadas

- Compre um chocolate e dê a alguém que gosta

- Dê uma rosa para sua mãe, hoje

- Faça um lanche para alguém que gosta

- Seja paciente com alguém que não possui afinidade

- Ajude alguém a atravessar a rua

- Doe roupas/ livros/objetos antigos para alguém que precise

- Ajude um amigo que está com problemas

- Visite uma instituição de caridade e converse com as pessoas que lá moram

- Faça algo que te faça sorrir

- Ligue para um amigo que não vê faz muito tempo

- Hoje, não jogue lixo no chão

- Seja gentil, pelo menos por um dia, no trânsito

- Pergunte a um familiar como foi o dia dele


- Leve seu filho para passear num parque público



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Estudo dirigido de neurofisiologia da micção

01. Explique o que ocorre na fase de armazenamento de urina.

02. Qual o nervo que atua na fase de armazenamento? Quais raízes nervosas envolvidas? Essa ação é simpática ou parassimpática? Quais os dermátomos relacionados a estas raízes?

03. Explique como ocorre a fase de esvaziamento de urina

04. Qual o nervo que atua na fase de esvaziamento? Quais raízes nervosas envolvidas? Essa ação é simpática ou parassimpática? Quais os dermátomos relacionados a estas raízes?

05. O que a inervação somática da bexiga realiza? Qual o nervo responsável?

06. Explique como se dá o reflexo de Mahoney. Qual sua implicação clínica? Ele é utilizado em que tipo de incontinência?

07. O que é bloqueio perineal? Quando deve ser utilizado?